No último fim de semana assisti ao filme "O Enigma de Kaspar Hauser" ou com tradução literal "Cada um por si e Deus contra todos", dirigido por Werner Hersog em 1974. Minha intenção não é fazer o resumo do filme e sim dizer minhas conclusões a respeito.
O ser humano, desde seu nascimento sempre foi educado para agir de acordo com os padrões da sociedade (sejam elas políticas, morais, religiosas, etc) e Kaspar Hauser foi o que muitos jugariam diferente. Desde criança, cresceu sem contato com ninguém, se desenvolveu em seu próprio mundo e, com uma inocente crítica, faz nos refletir se a nossa visão de mundo é o que conhecemos de fato.
Quando apresentado à sociedade, Hauser provoca curiosidade em outras pessoas e chama a atenção por seu enigma: como alguém, alheio a tudo, pode ser tão espontâneo e agir com tanta simplicidade e sobreviver assim? Baseando-se nisso, as pessoas tentam ensinar Hauser a dialogar, portar-se em público, andar, orar,enfim, toda e qualquer atitude vil de uma sociedade comum.
Em uma das passagens, uma família o obriga a aprender se alimentar com garfos, facas, de acordo com os costumes. Num breve jogo de ironia, a câmera foca em um pássaro em uma gaiola cantarolando alegremente. Moral da história: (não que manter pássaros em gaiolas seja uma coisa muito boa - não estou defendendo isso) muitas vezes a liberdade é uma questão definida e decidida por cada ser. Vemos como exemplo um filme chamado "Um sonho de liberdade", que é baseado em fatos reais. O longa mostra o dia-a-dia de pessoas que vivem em prisão perpétua. Muitas pessoas ali, com o passar do tempo,ao serem libertadas descobrem que prefeririam viver na prisão a voltar "ser livre" por inúmeros motivos. Hauser, em sua caverna junto com seu cavalo de madeira, parecia ser mais feliz isolado à viver com tantas regras e morais infinitas. Por esse lado, fez - me pensar: será que nós, mesmo livres, somos DE FATO livres? O que é liberdade para você?
No seu cotidiano, você se julga livre? Só porque você não está em uma prisão, ou algo parecido, faz de você um ser humano inteiramente liberto?
Hauser desconhecia a Igreja e não se sentia parte desse grupo. Será que a percepção que temos de Deus, em sua real existência, definiria tanto assim as coisas que conhecemos?
O homem acostumou-se a viver numa liberdade fracassada, com um preconceito natural. Um exemplo disso é o livro "Metamorfose" de Franz Kafka, onde o personagem principal devido a uma deficiência, causa repulsa a todos à sua volta, inclusive sua família. Tendo essa obra como base, faz nos refletir em questões mais atuais como homossexualismo, preconceito racial, e outros temas vistos como verdadeiros tabus. O que faz o ser humano sentir-se melhor que outro?
Platão disse uma vez: " O homem sustenta barreiras de pensamento que o impedem de esclarecer visões básicas da vida." Acho que essa citação conceitualiza muito isso que estou refletindo. O homem é tão dependente do comum, possui uma visão tão fechada do seu mundo ao redor que possui dificuldade imensa em aceitar e resolver questões tão simples diárias.
Hauser possui incrível talento para a arte enquanto apresenta enorme dificuldade para viver socialmente. Ou seja, a arte toca e impressiona todo e qualquer ser humano, será que esse sentimento não deveria ser visto como algo suficientemente magnífico? Algo a ser refletido? Pensado? Posto em consideração? Como alguém que nunca teve contato com nada, tocava piano com tanta maestria? Desconfiem do probre! Olha aí, um novo PRÉ - conceito.
Acho que são muitas questões que devem ser colocadas a prova de reflexão e que podem nos levar a inúmeras respostas. O homem com tantas ideologias estabelecidas, vive como seu próprio carma: ele mesmo.Fomos educados, acostumados desde berço a vivermos assim, sem opção de escolha - ou com escolhas mas sob consequências - e será uma tarefa árdea convencer nós mesmos do contrário. Mais fácil deixar assim como está.
Escrevo esse blog a fim de aproveitar mais uma experiência.. Passar e postar quando convier, textos meus, ou de outros autores até. Até porque, não sou poetisa, sou só uma fingidora, uma fingidora que finge que escreve, finge que lê... A palavras postas a seguir são experimentos de uma fingidora, uma fingidora que de vez em quando têm alguns minutos de inspiração e anseio de demonstrar, através das palavras, o que realmente se sente.