quinta-feira, 11 de abril de 2013

O campo e a cidade

Depois de ser acordada pelo seu pai, Raquel calçou os sapatos e abriu seu guarda roupa. Pegou o vestido de seda e vestiu-se. Abriu o porta joias e colocou os brincos de esmeralda herdados da mãe já falecida. Desceu as escadas e foi tomar café da manhã com seu pai, que preocupado, insistentemente a orientava:
   - Filha, cuidado com os colegas, na faculdade, não ande com más companhias. Lá na cidade, onde você se formará grande advogada para cuidar dos negócios da família, o povo não é como aqui na fazenda não. Tem pessoas drogadas, tem meninas perdidas, tem gente que não quer nada com nada, e homens que só querem se aproveita de meninas inocentes como você, minha filha.
A filha mal ouviu o pai, estava mesmo querendo ir logo embora, sabia que nada daquilo era verdade, era só o pai que só via terror nos jornais. Queria mesmo ir de uma vez e conhecer a verdadeira face da liberdade. Não que ela não fosse livre, mas gostaria de viver sem os 'compadres" de seu pai que a seguiam onde quer que fosse. Queria andar na cidade sem se preocupar de olhos curiosos, atentos a saber a onde ela ia. Terminou apressadamente de comer e logo deixou pra trás os talheres de prata na mesa. Pegou as malas que a governanta preparara, despediu-se do pai na porta, onde o carro, preto e suntuoso já a esperava.
No caminho, muito contente, começava a imaginar como seria sua nova vida na cidade: novos amigos, novos lugares, poderia sair livremente sem ter que pedir permissão ao pai, além das provas e atividade da faculdade. Vida nova! A única coisa que ela se importava era que o curso não era o que ela almejava uma vez que o pai escolhera tal profissão para que cuidasse dos negócios da família, mas o importante era o que seria novo!
Nos primeiros dias, Raquel frequentou as aulas regularmente, mas ao passo que  conhecia de verdade sua colega de quarto, Tifanny, vivenciou tudo que o pai advertira a filha a não fazer: passou a beber todas as noites e frequentas as todas e maiores festas da cidade. Por consequência, passou a faltar na faculdade por conta das longas ressacas e noites mal dormidas.
No começo, era tudo divertido, tudo novo, só quando ela percebeu que o álcool se tornara "necessário em sua vida" tomou consciência que deveria começar a dar ouvidos a o que ouvia de seu pai. "-Cuidado com os colegas na faculdade.". Percebeu que as amigas estavam ainda piores do que ela, bebiam até em horário de aula - quando iam. No quarto mês de faculdade,a novidade: uma de suas colegas abandonara o curso. Por que? Estava grávida e nem sabia quem era o pai. "- Tem meninas perdidas, tem gente que não quer nada com nada.".
Começou a sentir saudades da fazenda, do pai, mas na cidade estava tão livre! O celular já mal atendia o pai, dizia estar sempre ocupada, estudando.
Tudo que seu pai advertira estava diante de seus olhos: más companhias, drogas, bebês sem pais e gente que não queria nada com nada, e ela mesma, a única e tão amada filha do pai, perdida e alcoólatra. Sentia falta de casa, e desejou, pela primeira vez, voltar e implorar o perdão de seu pai.
Foi então que decidiu que tomaria coragem e voltaria para casa e que aquela, seria sua última noite na cidade! Junto com sua colega, fez sua habitual ida ao barzinho que há próximo a república. Estava tudo normal, como sempre, seu copo de cerveja gelada na mão, rindo e se divertindo com os colegas. De repente, um som cortou a diversão, saiu rasgando o ar e acertou em cheio o peito de sua amiga, Tiffany. Era um assalto. Enquanto Tiffany sangrava sem parar, seus colegas correram sem nem prestar socorro. Raquel, ajoelhada sem saber o que fazer começou a rezar, para que alguém aparecesse e a ajudasse, mas como resposta, obteve o mesmo destino de sua amiga.  Naquele momento percebeu que acabara tudo: barzinho, liberdade, a fazenda. Se arrependeu profundamente por ter levado aquela vida. Se arrependeu de ter ignorado seu pai todos os dias, e que nunca mais tornaria a ouvir sua voz. Se arrependeu, acima de tudo da decepção que seu pai sentiria assim que soubesse no acontecido.
Uma pena que a vida não é realmente como a gente quer, entre o sonho e a realidade, há sempre um anjo que resiste aos nossos desejos.

(Ana Carolina, Bruna, Jeniffer, Denise, Denise B, Joelma e Stephany)

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